terça-feira, 22 de junho de 2010

o símbolo perdido

      Depois do enorme sucesso de O código da Vinci, Dan Brown escreveu mais uma obra sobre mistérios, religião, investigação criminal, ciências ocultas e blá-blá-blá. O nome da obra é o do título desta resenha. 
      O enredo envolve novamente o professor simbologista de Harvard Robert Langdon numa trama daquelas tipo Identidade Bourne, só que sem a pujança da trilogia de Matt Damon. A história se passa nos EUA, mais precisamente em Washington, e em umas 20 horas mais ou menos. O livro tem quase quinhentas páginas - que poderiam reduzir-se a umas 150 - mas a leitura é fluida. Primeiro que não há muito a refletir sobre a linguagem. Ao longo do livro, é possível contar o verbo "aquiescer" umas cem vezes. Aliás, dá até perder a conta. Nos dez primeiros capítulos do livro, toda hora os personagens aquiescem. Caso você não saiba o significado disso, é o mesmo que "concordar a contragosto", "anuir", "ser condescendente". A impressão que fica é que o autor só conhece essa palavra, ou seus personagens só têm essa ação. Segundo, que a fórmula usada pelo autor lembra a das novelas brasileiras: ao final de um capítulo, um suspense. No início de outro capítulo, outro assunto que não aquele do suspense. Manjadíssimo.
      Na resenha do livro consta que Brown é tido hoje com o maior escritor policial da atualidade. O que mostra que o mundo está carente de bons escritores do gênero às vistas do grande público.
         Uma coisa aproxima demais Dan Brown de Paulo Coelho: ambos falam de misticismo, de assuntos "proibidos" (a obra em questão "revela" o mundo da francomaçonaria), ciência "apócrifa", de um modo bem cru, rude. A palavra certa é pobre. O escritor americano se atém aos fatos da narrativa dele, mas não há o vislumbramento literário, não há o desvelamento que a escrita bem arranjada pode proporcionar. O texto, assim como no Código..., é mais um grande roteiro de cinema (com direito a merchandising pra todo lado) do que um romance propriamente dito. O autor beira a infantilidade ao colocar os pensamentos dos personagens em itálico, caso não consigamos compreendê-lo... Isso sem falar nas palestras proferidas e diálogos. Parecem todos iguais, e há pelo menos duas palestras nessa obra, uma do protagonista e outra de outro personagem envolvido: Peter Solomon, um importante maçom norteamericano curador do museu Smithsonian.
         Não fosse o assunto ser interessante ("os pensamentos têm massa", by noética), a leitura é mais perdida que o símbolo; porque de literatura ali, há pouco.

3 comentários:

bruna disse...

Estou acompanhando e adorando!
Cheiro
Bruna, sua fã.:

Jess disse...

hahahahaha

"A impressão que fica é que o autor só conhece essa palavra, ou seus personagens só têm essa ação."



saudades, guga.

André Alemão disse...

Cara, suas resenhas são muito boas. Já pensou em procurar um free lance por aí? Dá de mil nas porcarias do Popular e Diário da Manhã.