domingo, 24 de agosto de 2008

Zeitgeist

Zeitgeist é uma palavra alemã que possui muitas acepções. A que mais me chama atenção refere-se ao pensamento que ocorre simultaneamente em locais totalmente diferentes do mundo ao mesmo tempo, sem que os pensantes tenham essa noção. Dizem que aconteceu isso com a lâmpada elétrica. Quem levou a fama foi Thomas Edison, por ter executado a idéia.

O mesmo ocorreu com o movimento punk, por exemplo, que as pessoas vivem discutindo se foi em Londres com o Sex Pistols ou se foi em Nova Iorque com os Ramones ou o New York Dolls que surgira. Aconteceu. Ao mesmo tempo. Como uma necessidade.

Semana passada eu fiquei intrigado com acontecimentos que mais pareciam coincidência, mas a palavra zeitgeist não saía da minha cabeça. O “espírito do tempo” (tradução literal para o termo alemão) andava me perseguindo. No sábado passado, enquanto dava aula, citei um Palio a título de um exemplo. No instante seguinte, um funcionário da escola entra na sala pedindo que o proprietário de um Palio fosse lá embaixo. Fez-se silêncio na sala, mas segue o passeio.

Eu estava só com o projetor na sala, o notebook não vinha há mais de meia hora, então eu decidi ir lá embaixo buscar o computador. Antes mesmo de chegar ao meio da sala, o mesmo funcionário entrou com o note...

Minha mulher sugeriu que eu jogasse o “jogo mais difícil do mundo”, um joguinho massa, mas difícil pra encardir, porque ela disse que eu iria gostar. Antes que eu o procurasse, vi lá na minha página inicial o tal joguinho em destaque na parte de jogos – me chamando pra jogá-lo, certamente.

No domingo, decidi começar a escrever esta crônica, porque achava que estava bem acompanhado espiritualmente. Porém, tão viciado fiquei no tal jogo mais difícil, que nem comecei a esboçar. Na segunda, depois de um acontecimento do qual não me lembro agora e que poderia ser entendido como a tal coincidência, uma aluna muito querida veio me perguntar se eu já havia assistido a um filme. Ela queria que eu lesse no papel, porque ela não sabia pronunciar o nome: Zeitgeist. Eu quase tive um infarto do miocárdio e senti uma pontada na pleura. Quando a tal da coincidência começa a nos perseguir, parece que déjà vus são insignificantes, e como assusta!

Uns dizem que coincidências não existem, que tudo acontece por um motivo. Bem, que elas existem, elas existem, por isso até têm um nome. Se é o acaso ou a pré-destinação que as gera, eu não sei responder. Nem sei em que acreditar. Tem horas que eu creio que tudo acontece na hora que tem que acontecer. Mas costumo pensar isso só quando as coisas dão certo. Se elas não se encaixam perfeitamente, ou eu as ignoro, ou eu fico tremendamente irritado – sobretudo quando, além de não se encaixarem, dão totalmente errado.

E você? Acredita em coincidências?

4 comentários:

Danna disse...

claro que sim.. quer um exemplo..

sábado eu estava indo pra aula chateada porq naum ia ter uma aula decente como a sua.. e quem eu encontro no restaurante?! Você!

Enchemos os nossos pratos juntos.. Pegamos a carne no mesmo instante.. nos sentamos ao mesmo tempo ( mesmo em mesas separadas), terminamos de comer e fomos pagar quase ao mesmo instante..

se foi coincidência ou pré-destinação, ainda naum sei.. mas alegrou o meu começo de tarde..

bjuss e até!

Jéssi disse...

Tem horas que eu acho que algumas coisas que acontecem no nosso dia-a-dia são coincidências,tem horas que acho que não.Sei lá né Guga,tem tanta coisa que vai além da nossa mera concepção e consciência.Vai muito além.E isso assusta mesmo.Eu tenho minhas próprias versões para essas impressões que temos,pela minha religião,pelo que eu acredito sabe.Pra mim tem sempre algo que influencia.Nada simplismente acontece por acontecer.Por exemplo,eu ter te conhecido.Uma das melhores coisas que me aconteceu esse ano e, eu acho que deveria ser assim,como um capítulo da nossa vida.Você me faz um bem tremendo e eu acho que também te faço bem.Logo,nossa relação aluno-professor e nossa amizade é muito mais do que uma simples coincidência.

Érica disse...

Taí uma coisa que eu penso muito. Pensamos tanto em originalidade, em autenticidade, mas menos do que sujeitos somos sujeitados. Estamos sujeitos a uma cultura, a um tempo, a uma sociedade que não escolhemos, nascemos nela e pronto. Ela está dada e certamente vai conformar todos os aspectos de nossas vidas, é inevitável. Daí essas "coincidências" que vc cita e que são ótimas para nos dar a noção de nossa temporalidade.
Adorei o blog, continuo admirando muito o seu jeito de escrever, que já me chamava a atenção há mais de dez anos. Beijos!

Larissa disse...

Infarto no miocardio e pontada na pleura foi o melhor...tá bem em anatomia em!! hehe
Texto muito bom! =P
Me relembrou meus tempos de psicologia....espirito do tempo...

te mais