segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ii - soneto


Comendo teu corpo em chamas,

sorvendo teu ventre sem vestes,
estamos, bem perto, prestes
a fervermos nessas camas.


Tal o fogo por que clamas,
é como sempre estivesses

a queimar em tuas preces
meu templo após plenas flamas.

E assim, cinzas acabadas,

depositados em urnas,

esperamos nova lida


com faíscas cintiladas

e nossas vontades unas

pras labaredas da vida.



4 comentários:

Alisson Caetano disse...

Tive que ler duas vezes...não sou muito apto a esse estilo "Chico Buarque" de falar de sexo!
Mas é realmente muito bom! :)

Paula § Danna disse...

antes do arder..
vinho, velas e poesia!!

.guga valente. disse...

Então... não ofenda o Chico com essa comparação, huahuahuahhauhuah... e ele nem escrevia sonetos... taí uma semelhança entre nós (quiçá a única)

Carol Leopardo disse...

Uau, como eu gosto disso! Lindo soneto, como tu escreve bem!, gostei mesmo.